// TOXICOLOGIA

Acidente por Aranha Armadeira (Phoneutria)

Acidente por aranha armadeira (Phoneutria): a picada mais comum e dolorosa no Brasil — aranha grande, agressiva, habita bananais, garagens, calçados. Dor irradiada imediata em 100% dos casos, sudorese local, taquicardia. Maioria leve (~90%); moderado-grave em crianças, idosos, hipertensos. Soro antiaracnídico (Butantan) reservado a casos graves. Tratamento primário: bloqueio anestésico local com lidocaína.

Antídoto — Soro Antiaracnídico (SAA) ou Antifoneútrico (SAF) — Instituto Butantan

LEVE: soroterapia não indicada — tratamento sintomático. MODERADO: 2-4 ampolas IV. GRAVE: 5-10 ampolas IV. Diluir em SF 0,9% 100-200 mL em 15-30 min. Pré-medicar: prometazina 25-50 mg IM + hidrocortisona 500 mg IV; adrenalina 1:1000 à beira-leito.

Classificação de gravidade

  • LEVE (~90%): dor local imediata e intensa, eritema, edema discreto, parestesia. Sem sinais sistêmicos
  • MODERADO: dor + sudorese generalizada, agitação, taquicardia, hipertensão, vômitos, priapismo
  • GRAVE: choque, bradicardia/taquicardia grave, arritmias, EAP, convulsões, coma, priapismo prolongado
  • Crianças <7 anos: hospitalizar SEMPRE independentemente da classificação inicial

Diagnóstico

  • Clínico: dor local intensa e imediata após picada em área endêmica; identificação da aranha se possível
  • Classificar gravidade para decisão de soroterapia — reavaliação clínica seriada 2-6h
  • ECG seriado (arritmias); monitorização contínua nos moderados/graves
  • Glicemia, eletrólitos, gasometria arterial, hemograma, função renal — nos moderados/graves

Tratamento

  • ABC — IOT precoce se rebaixamento, EAP ou insuficiência respiratória
  • NÃO realizar torniquete, incisão, sucção, gelo, calor ou substâncias no local
  • Analgesia LOCAL (1ª escolha): lidocaína 2% sem vasoconstritor 1-4 mL SC ao redor da picada
  • Analgesia sistêmica: dipirona 500-1000 mg IV; opioide se refratário
  • Soroterapia conforme gravidade
  • Priapismo persistente >2-4h após soroterapia: punção + irrigação do corpo cavernoso ± fenilefrina intracavernosa (com urologia)
  • HAS sintomática grave: nifedipino 5-10 mg SL ou nitroprussiato IV; evitar beta-bloqueador isolado

Fontes científicas

  • Ministério da Saúde/Funasa. Manual de Diagnóstico e Tratamento de Acidentes por Animais Peçonhentos. 2ª ed. Brasília; 2019.
  • Instituto Butantan. Soro antiaracnídico e antifoneútrico — bula e protocolo clínico; 2021.
  • Bucaretchi F et al. Phoneutria spp. envenomation in children. Toxicon. 2008;51(4):554-61.